O Paraguai deu um passo estratégico para dinamizar seu setor aéreo e turístico ao eliminar o imposto que incidia sobre as passagens de avião. A decisão, anunciada pela Presidência, visa diretamente reduzir os custos operacionais das companhias aéreas e, consequentemente, baratear as tarifas para os usuários. Num país sem acesso ao mar, onde a conexão aérea é vital para o comércio, o turismo e a integração regional, a medida pode marcar um antes e um depois na acessibilidade do transporte.
Até agora, os passageiros que voavam a partir ou com destino ao Paraguai precisavam arcar com uma sobretaxa que encarecia significativamente os bilhetes, sobretudo em rotas internacionais. Embora as autoridades não tenham detalhado a porcentagem exata do tributo eliminado, fontes do setor apontam que se tratava de um imposto indireto que representava uma carga adicional em comparação com outros mercados da região. Ao suprimi-lo, o Paraguai se alinha às estratégias de países que entenderam que a redução da pressão fiscal sobre o transporte aéreo é uma alavanca eficaz para estimular a demanda e atrair investimentos.
O impacto esperado é múltiplo. Em primeiro lugar, as tarifas mais baixas devem incentivar um número maior de paraguaios a viajar, seja a turismo ou a negócios. Em segundo lugar, o barateamento dos voos pode tornar o país um destino mais competitivo para visitantes estrangeiros, especialmente aqueles vindos de mercados vizinhos como Brasil, Argentina e Bolívia, onde o turismo de compras e de natureza já tem um fluxo consolidado. Além disso, a medida pode despertar o interesse de companhias aéreas de baixo custo e de rotas que antes não eram rentáveis, ampliando a oferta de destinos e frequências.
A conectividade aérea tem sido historicamente um desafio para o Paraguai. Sua localização geográfica, sem saída para o mar, e um mercado interno relativamente pequeno limitaram a concorrência entre linhas aéreas. A eliminação do imposto soma-se a outros esforços recentes, como a modernização do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi e a abertura de novas rotas regionais. Especialistas em aviação consultados concordam que a combinação de infraestrutura renovada e um ambiente fiscal mais favorável pode transformar Assunção em um pequeno hub regional, especialmente para as conexões entre o Cone Sul e destinos do norte da América do Sul ou do Caribe.
Da perspectiva da indústria aérea, a supressão de gravames reduz um dos principais componentes do custo final da passagem. As companhias poderão ajustar suas tarifas sem sacrificar margens ou, alternativamente, reinvestir essa economia em melhores frequências e serviços. Para um país que aspira diversificar sua economia para além da exportação agrícola e da energia hidrelétrica, um transporte aéreo mais dinâmico pode ser o catalisador de setores como o turismo de eventos, a logística e os serviços empresariais.
Contudo, o sucesso da medida dependerá de sua implementação efetiva e da ausência de novos encargos que a substituam. Também será necessário um acompanhamento com políticas de promoção turística e simplificação de vistos para maximizar a entrada de viajantes. O Paraguai se junta, assim, a uma tendência regional — impulsionada por países como Colômbia ou Chile — de entender a aviação não como um luxo sujeito a altos impostos, mas como um serviço público essencial para o desenvolvimento econômico e social.
Equipo ViaParaguay