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Paraguai bate recorde histórico: complexo da soja supera US$ 3 bilhões em exportações
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Paraguai bate recorde histórico: complexo da soja supera US$ 3 bilhões em exportações

Equipo ViaParaguay Equipo ViaParaguay · · 6 min de leitura

O Paraguai acaba de registrar um marco sem precedentes em sua história agroindustrial. O complexo da soja — que abrange o grão in natura, óleos e farinhas derivadas — superou US$ 3 bilhões em exportações durante o primeiro semestre de 2026, segundo dados do Banco Central do Paraguai (BCP) e da Câmara Paraguaia de Exportadores e Comercializadores de Cereais e Oleaginosas (Capeco). É a primeira vez que esse patamar é alcançado em um único semestre, marcando um recorde histórico absoluto para a economia paraguaia.

Uma safra que reescreve os livros de recordes

O gatilho desse resultado extraordinário é a campanha agrícola 2025/26, que encerrou com uma produção de 12,29 milhões de toneladas de soja — cifra que inclui a safra principal de 10,9 milhões e a safrinha de 1,4 milhão de toneladas —, segundo a consultora StoneX. A safra principal foi, por si só, "a maior safra principal de soja já registrada no Paraguai", nas palavras da analista sênior Larisa Barboza.

Para dimensionar a magnitude do feito: nas campanhas anteriores, o Paraguai produzia cerca de 10 milhões de toneladas. A produção cresceu mais de 300% em três décadas, e o salto de 2026 consolida o país como o quarto maior exportador mundial de soja em grão e o sexto no complexo completo.

Os números que sustentam o recorde

Os dados do BCP e da Capeco revelam uma trajetória de crescimento sustentado ao longo do ano:

  • Janeiro a março de 2026: o complexo sojeiro gerou US$ 1,44 bilhão em divisas (+39% interanual), frente a US$ 1,031 bilhão no mesmo período de 2025.
  • Janeiro a abril de 2026: o complexo alcançou US$ 1,934 bilhão, impulsionado por exportações de soja em grão de US$ 1,510 bilhão (+43,2% em valor e +37,4% em volume), além de óleo de soja (US$ 215,8 milhões, +31,8%) e farelo de soja (US$ 203,9 milhões, +15,8%).
  • Em volume, o Paraguai embarcou 3,94 milhões de toneladas de soja em grão apenas nos primeiros quatro meses — um milhão de toneladas a mais do que no mesmo período de 2025.

Com maio representando o mês de maior intensidade exportadora da nova safra e os embarques continuando em junho, o complexo soja cruzou a barreira dos US$ 3 bilhões — um limiar que nenhuma campanha anterior havia atingido em tão curto prazo.

Além da soja: o boom exportador geral

O impacto da safra recorde se irradiou por toda a economia exportadora. As exportações sob regimes aduaneiros cresceram 18,1% interanual e superaram US$ 4,230 bilhões nos primeiros quatro meses de 2026, segundo reportagem do ABC Color de 30 de maio, citando dados do BCP. As exportações totais — incluindo reexportações — alcançaram US$ 6,205 bilhões entre janeiro e abril, gerando um superávit comercial de US$ 84,2 milhões e revertendo o déficit do mesmo período de 2025.

O regime de maquila também contribuiu com dinamismo, somando US$ 469,8 milhões no quadrimestre (+29,7%), evidenciando que o boom não é exclusivamente agrícola, mas reflete uma economia diversificada e em expansão.

O contexto: Paraguai, potência emergente do agronegócio

Os grãos de soja são exportados principalmente para Argentina (89,8%) e Brasil (10%), onde são processados para consumo interno ou reexportados. As empresas líderes — Cargill (20%) e Bunge (19%) — encabeçam os embarques junto a outras 38 companhias exportadoras.

Ao mesmo tempo, o BCP reporta reservas internacionais superiores a US$ 11,5 bilhões, as mais altas da história recente do país, com o componente em ouro crescendo 37% interanual até US$ 1,186 bilhão. O Paraguai figura entre os três países com menor risco-país da América Latina (EMBI de 104 pontos-base ao fechamento de maio de 2026), segundo dados do BCP.

O que isso significa para quem quer investir ou viver no Paraguai?

Um recorde de exportações sojeiras dessa magnitude não é apenas uma notícia agrícola: é o termômetro da saúde macroeconômica do país. Mais divisas implicam maior estabilidade do guarani, maior arrecadação tributária, mais emprego em logística, agroindústria e serviços, e maior capacidade de investimento público em infraestrutura.

Para o investidor estrangeiro, o Paraguai combina hoje três condições raramente encontradas juntas na América Latina: baixa carga tributária (alíquota de IVA de 10%, imposto de renda de 10%), estabilidade macroeconômica sustentada e um ciclo de crescimento agroindustrial que reforça a demanda interna. A inflação ficou em apenas 2,4% interanual em maio de 2026 — uma das mais baixas da região —, enquanto o PIB deve crescer 4% este ano, segundo projeções do BCP e do FMI.

"A soja voltou a confirmar seu peso dentro da economia paraguaia e se tornou o principal motor do crescimento das exportações durante o início de 2026." — Banco Central do Paraguai, Relatório de Comércio Exterior, maio de 2026.

Para quem avalia se estabelecer ou investir no Paraguai, esse recorde é um sinal concreto: o país atravessa um de seus melhores momentos econômicos em décadas, com fundamentos sólidos que vão muito além da soja.

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