O momento que o Chaco paraguaio esperava há décadas está a centímetros de acontecer. Em 21 de maio de 2026, apenas 21 metros de concreto separam o Paraguai de sua primeira conexão terrestre direta com o Brasil pelo Rio Paraguai: a Ponte Internacional da Bioceânica, também chamada de Ponte do Pantanal.
Os trabalhadores do Consórcio Binacional PYBRA — formado pelas brasileiras Paulitec Construções, Construtora Cidade e pela paraguaia Tecnoedil — estão colocando as últimas aduelas de fechamento, as peças de concreto pré-fabricado que completarão o vão central do viaduto. A união definitiva entre as duas margens, inicialmente prevista para o final de maio, foi ligeiramente adiada pelas chuvas intensas na região: agora é esperada na segunda quinzena de junho de 2026.
Uma estrutura de 1.294 metros sobre o rio que separou dois países
A ponte tem 1.294 metros de extensão total e ligará o município paraguaio de Carmelo Peralta, no departamento de Alto Paraguai, à cidade brasileira de Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul. Totalmente financiada pela Itaipu Binacional com investimento de aproximadamente USD 93 milhões, é a primeira infraestrutura desse tipo sobre o curso principal do Rio Paraguai. As obras começaram em 2022 e a união física está prevista para junho de 2026.
A contagem regressiva do Corredor completo
A ponte é a peça central — mas não a única — do Corredor Vial Bioceânico, o megaprojeto de integração regional que ligará o Oceano Atlântico ao Pacífico através de quatro países e aproximadamente 2.400 quilômetros de estradas. O trajeto parte de Campo Grande (Mato Grosso do Sul, Brasil), cruza o norte do Paraguai pelo Chaco, entra na Argentina pelas províncias de Salta e Jujuy, e chega aos portos do Norte Grande do Chile: Antofagasta, Iquique e Mejillones.
O presidente Santiago Peña estimou que o corredor completo estará operacional nos primeiros meses de 2027. O investimento total comprometido no corredor supera USD 1,1 bilhão.
Por que isso muda o mapa econômico do Paraguai
Por 200 anos, o Paraguai exportou quase exclusivamente pelo leste — pelos rios Paraguai e Paraná até o Rio da Prata e os portos de Buenos Aires, Montevidéu ou Paranaguá. O corredor bioceânico abre pela primeira vez uma saída direta para o Pacífico e os mercados asiáticos, sem depender da infraestrutura de países terceiros.
As projeções econômicas são contundentes: o corredor tem capacidade de movimentar mais de 8,6 milhões de toneladas anuais e gerar um impacto econômico direto superior a USD 3 bilhões por ano. O PIB paraguaio pode crescer pelo menos 1,5% adicionalmente após a plena operação do corredor. A inauguração formal da ponte está prevista para o segundo semestre de 2026.