A economia paraguaia cresceu 5,7% no primeiro semestre de 2026, segundo o Relatório de Contas Nacionais Trimestrais do Banco Central do Paraguai (BCP), publicado em 25 de setembro. Na comparação com outros seis países da região compilada pelo próprio BCP, é o maior crescimento acumulado do semestre. O dado vem com nuances que convém ler por inteiro: o ritmo moderou do primeiro para o segundo trimestre, o investimento caiu e as exportações líquidas deram uma contribuição maior.
O que disse o BCP
O PIB acumulado do semestre subiu 5,7%. O primeiro trimestre havia crescido 7,3% e o segundo o fez a um ritmo interanual de 4,0%.
O BCP também publica um indicador que exclui a agricultura e as entidades binacionais. As binacionais são as usinas hidrelétricas que o Paraguai compartilha com seus vizinhos: Itaipu, com o Brasil, e Yacyretá, com a Argentina. Observa-se essa versão do indicador porque ela retira do cálculo dois componentes muito variáveis, um que depende do clima (as colheitas) e outro da hidrologia (quanta água há para gerar eletricidade). Com esse recorte, a economia cresceu 5,2% no semestre e 3,2% em termos interanuais no segundo trimestre.
De onde veio o crescimento
Pelo lado da oferta, o maior impulso veio da agricultura, que cresceu 12,3% no semestre e 11,1% no segundo trimestre, com mais soja, arroz, feijão, girassol e tabaco e menos milho, algodão, gergelim e erva-mate. A eletricidade e a água, que incluem as binacionais, cresceram 8,5% no semestre e 13,0% no segundo trimestre; o BCP atribui isso a mais geração hidrelétrica em Itaipu e Yacyretá e a mais distribuição para indústrias eletrointensivas.
Os serviços avançaram 5,7% no semestre e 3,4% no segundo trimestre, com contribuições da intermediação financeira, dos serviços do governo, das telecomunicações, da informação, dos serviços de criptomineração, dos hotéis, dos restaurantes e do comércio. A construção cresceu 4,9% e 4,2%, respectivamente, por obras privadas; a produção de cimento subiu 14,5% e a de vergalhões, 9,7%. A manufatura cresceu 4,0% no semestre, com uma moagem de soja que subiu 15,5% em termos interanuais no segundo trimestre e mais produção de laticínios, bebidas e farmacêuticos.
Em retrocesso ficou o bloco de pecuária, silvicultura, pesca e mineração, com −0,9% no semestre e −4,1% no segundo trimestre. O BCP o associa à recomposição do rebanho bovino, com um abate de bovinos que caiu 26,6%.
Despesa e investimento: a nuance do dado
Pelo lado da despesa, o consumo total cresceu 4,3% no semestre (privado 4,2%, governo 4,6%), e o consumo privado avançou 3,2% em termos interanuais no segundo trimestre. Ainda assim, a demanda interna caiu 2,6% em termos interanuais nesse trimestre.
A formação bruta de capital fixo —o investimento— caiu 11,8% em termos interanuais no segundo trimestre e 3,9% no semestre. O BCP explica isso por fatores pontuais: as importações de máquinas de criptomineração recuaram 94,6% e uma compra anterior de aviões militares infla a base de comparação. Sem esses componentes, segundo o BCP, o investimento teria crescido 6,3% em termos interanuais no segundo trimestre. A queda foi atenuada pelo investimento em construção e em maquinário agrícola, florestal e industrial.
O comércio exterior empurrou na direção oposta. As exportações de bens e serviços cresceram 8,2% no semestre e 11,5% no segundo trimestre, com um volume exportado de soja em grão que subiu 51,6% (sobre o complexo da soja, veja nossa nota sobre suas exportações). As importações caíram 1,4% no semestre e 5,7% no segundo trimestre, com os combustíveis em −13,1% e menos maquinário pesado. O resultado foi uma maior contribuição das exportações líquidas ao crescimento.
Comparação regional
O BCP compilou o crescimento de sete economias da região. O Paraguai lidera o acumulado do primeiro semestre. No segundo trimestre interanual também lidera, embora a Colômbia, com 3,5%, esteja próxima.
| País | Acumulado primeiro semestre 2026 (%) | Interanual 2º trimestre 2026 (%) |
|---|---|---|
| Paraguai | 5,7 | 4,0 |
| Peru | 3,0 | 2,6 |
| Colômbia | 2,9 | 3,5 |
| Argentina | 2,2 | 2,0 |
| Brasil | 1,9 | 2,0 |
| Uruguai | 0,3 | −0,5 |
| Chile | −0,3 | −0,2 |
Fonte: comparação regional compilada pelo Banco Central do Paraguai (BCP).
Fora dessa comparação, o Panamá informou um crescimento de 5,5% para o mesmo semestre, segundo seu Instituto Nacional de Estatística e Censo (INEC).
O que esperar no resto do ano
O BCP prevê um crescimento de 4,5% para todo o ano de 2026, uma estimativa vigente no momento da publicação do dado e, portanto, sujeita a revisão. O Banco Mundial havia estimado 4,4% em junho. Ambos os números são projeções, não resultados.
O que significa para quem investe no Paraguai
O dado chegou dias depois de o presidente Santiago Peña liderar em Nova York o Paraguay Investment Forum, com jornadas no Bank of America e no J.P. Morgan diante de mais de 150 investidores internacionais, segundo a agência EFE.
Para o investidor estrangeiro, a leitura é dupla. Por um lado, o Paraguai combina um crescimento acumulado que lidera a comparação regional do BCP com um consumo privado que continua avançando. Por outro, a demanda interna caiu no segundo trimestre e o investimento fixo registrou uma queda no trimestre que o BCP atribui a fatores pontuais. Para ampliar o contexto, vale ler as notas sobre o investimento estrangeiro recorde de 2025 e sobre a trajetória de crescimento de longo prazo do chamado «jaguar econômico». Quem avalia oportunidades de investimento, comércio ou instalação de um negócio no Paraguai pode consultar a equipe da ViaParaguay por meio do formulário de contato.
Equipo ViaParaguay