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Paraguai busca voltar a vender soja a Taiwan depois de uma década, e fabricante de memórias avalia o Alto Paraná
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Paraguai busca voltar a vender soja a Taiwan depois de uma década, e fabricante de memórias avalia o Alto Paraná

Equipo ViaParaguay Equipo ViaParaguay · · 7 min de leitura
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Duas empresas taiwanesas manifestaram interesse em investir no Paraguai, segundo veio a público em 19 e 20 de agosto de 2026. Não há nada assinado: são visitas, avaliação de possíveis locais e conversas em andamento, não contratos nem investimentos confirmados. Uma delas quer voltar a comprar soja paraguaia depois de quase dez anos sem fazê-lo; a outra, fabricante de memórias, percorre terrenos no leste do país para uma eventual fábrica.

A TaiSugar quer voltar a comprar soja paraguaia

A Taiwan Sugar Corporation (TaiSugar) é uma empresa estatal taiwanesa fundada em 1946, vinculada ao Ministério dos Assuntos Econômicos de Taiwan. Nasceu como açucareira e, com o tempo, diversificou-se para a pecuária e a biotecnologia; hoje também produz soja não transgênica. Seu interesse no Paraguai é pontual: comprar soja.

O motivo está na cadeia de alimentação animal. Taiwan consome cerca de 900.000 toneladas de carne suína por ano e importa cerca de 100.000 toneladas anuais para cobrir a diferença. A soja é um insumo-chave da ração suína, e no ano passado Taiwan zerou a tarifa sobre a carne de porco, abrindo uma via adicional de comércio com os países fornecedores desse insumo.

Uma retomada, não um negócio novo

O Paraguai hoje não vende soja a Taiwan. O fluxo comercial foi interrompido há cerca de dez anos, quando a Argentina reabriu seu mercado após mudanças tributárias e Taiwan direcionou suas compras para o Brasil e os Estados Unidos. O que se discute agora é retomar esse fluxo: a meta que circula nas conversas é chegar a 500.000 toneladas por ano, entre 15% e 20% do que Taiwan importa de soja.

O Paraguai tem escala para sustentar essa ambição. É o terceiro maior exportador mundial de soja, atrás do Brasil e dos Estados Unidos, e o sexto maior produtor mundial, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Em julho de 2026, o chanceler taiwanês Lin Chia-Lung foi explícito sobre a preferência: "Apoio firmemente que Taiwan compre mais soja do Paraguai e não do Brasil", disse, segundo registrou o ABC Color.

O que o Paraguai já vende a Taiwan

Enquanto a soja é aspiracional, o comércio bilateral real cresce por outra via. As exportações paraguaias para Taiwan somaram USD 342 milhões em 2025, alta de 50% em relação ao ano anterior, compostas quase inteiramente por carne: USD 271 milhões em carne bovina e USD 49,6 milhões em carne suína. A projeção para o fechamento de 2026 é de USD 400 milhões. A soja, por enquanto, não faz parte dessa cifra.

A ADATA avalia uma fábrica no Alto Paraná

A segunda empresa é a ADATA Technology, fabricante taiwanesa de módulos de memória DRAM, unidades de estado sólido (SSD) e cartões de memória. É a segunda maior fabricante mundial de DRAM e SSD de marca própria, e já opera no Brasil. Agora avalia instalar uma fábrica em Minga Guazú, cidade do departamento de Alto Paraná, no leste do Paraguai, na fronteira com o Brasil. A empresa está percorrendo possíveis locais na região.

A partir dessa fábrica, a ADATA atenderia os mercados da América Latina, dos Estados Unidos e do Canadá, operando sob o regime de maquila: o esquema paraguaio para empresas que importam insumos, montam ou fabricam no país e reexportam o resultado. Um vice-presidente da empresa, de sobrenome Masselli, resumiu a lógica: "Nossa ideia é montar uma fábrica no Paraguai para atender todo o mercado latino-americano."

O regime em vigor é a Lei 7547/2025, regulamentada pelo Decreto 5714, que substituiu a antiga Lei 1064/1997 desde 8 de setembro de 2025. Ela fixa um tributo único de 1% sobre o valor agregado nacional ou sobre a fatura de exportação, com isenção de IVA, IRE, IDU e INR para as atividades de maquila.

O precedente que serve de régua: a Master Bus

Minga Guazú não é território novo para o investimento taiwanês. Lá funciona o Parque Tecnológico Taiwan-Paraguai, inaugurado em 18 de fevereiro de 2025. Nesse parque, outra empresa taiwanesa, a Master Bus, tem um investimento confirmado de USD 30 milhões para fabricar ônibus elétricos, com entre 2.000 e 2.500 empregos diretos projetados; já embarcou suas primeiras unidades em dezembro de 2024.

Essa diferença importa. A Master Bus é um valor, um cronograma e uma fábrica que já produziu. A ADATA, por ora, é uma visita, uma ronda por terrenos e uma frase de um vice-presidente. Nenhuma fonte confirma que a eventual fábrica da ADATA vá se instalar dentro desse mesmo parque tecnológico; sabe-se apenas que a empresa está de olho em Minga Guazú.

Por que o Alto Paraná, e por que agora

O atrativo estrutural da região é a energia: Itaipu, a usina hidrelétrica binacional entre Paraguai e Brasil e uma das maiores do mundo, oferece energia barata e limpa às indústrias instaladas nas proximidades. O Paraguai gera praticamente 100% de sua eletricidade em usinas hidrelétricas, algo pouco comum mesmo entre países com matriz elétrica limpa.

A região também é um nó comercial. A poucos quilômetros de Minga Guazú fica Ciudad del Este, a capital comercial da Tríplice Fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina, e o corredor que liga essa região aos portos do Pacífico e do Atlântico faz parte do projeto do Corredor Bioceânico, que o Paraguai promove como plataforma logística regional.

Uma relação diplomática que já dura quase 70 anos

O Paraguai é o único país da América do Sul que mantém relações diplomáticas com Taiwan em vez de com a República Popular da China, um vínculo que remonta a 1957. É um dos aproximadamente 11 ou 12 aliados diplomáticos que restam a Taiwan no mundo — o número varia conforme se conte ou não o Vaticano —, o que torna o Paraguai um parceiro incomum na América do Sul e um interlocutor com peso real para Taipé.

A reunião em que esses interesses foram manifestados contou com a presença de Marco Riquelme, ministro da Indústria e Comércio (MIC); Eduardo Gustale, vice-ministro da Rediex, a agência paraguaia de promoção de exportações e investimentos; e Iván Lee, embaixador de Taiwan no Paraguai.

O que observar a partir daqui

Nenhuma das duas empresas divulgou valores de investimento nem cronogramas: ainda não há cifra da ADATA nem da TaiSugar para avaliar. O que existe é uma direção clara: Taiwan busca diversificar seus fornecedores de soja para além do Brasil, e ao menos uma empresa de tecnologia taiwanesa está olhando com seriedade para a combinação de energia barata, regime de maquila e localização de fronteira que o Alto Paraná oferece. Quem avaliar montar uma operação de importação e exportação no Paraguai, ou comparar esse movimento com outro precedente recente do país como exportador agrícola — a chia paraguaia, que faturou USD 200 milhões em 2025 —, encontra nesse episódio a mesma lógica: mercados asiáticos reabrindo a porta para fornecedores paraguaios. A relação com Taiwan também inclui cooperação tecnológica, como o hub de inteligência artificial Yguazu Digital que os dois países promovem em conjunto. Para quem avalia operar ou investir no Paraguai, a equipe da ViaParaguay está disponível pelo contato.

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