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Ponte Bioceânica: MOPC garante máxima segurança e estrutura impossível de sobrecarregar
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Ponte Bioceânica: MOPC garante máxima segurança e estrutura impossível de sobrecarregar

Equipo ViaParaguay Equipo ViaParaguay · · 6 min de leitura

A nova Ponte Bioceânica que liga Carmelo Peralta (Paraguai) a Puerto Murtinho (Brasil) sobre o rio Paraguai garante máxima segurança estrutural e é praticamente impossível de sobrecarregar, confirmou o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) em 23 de julho de 2026, citando o engenheiro Guillermo Capellán, projetista e chefe de fiscalização pelo Consórcio JYI.

A estrutura foi calculada segundo as normas AASHTO (Associação Americana de Autoridades Estaduais de Rodovias e Transporte), o padrão internacional de referência para pontes rodoviárias. "As cargas reais que circularem não podem apresentar nenhum problema", afirmou Capellán.

Vista lateral da Ponte Bioceânica sobre o rio Paraguai
A ponte cruza o rio Paraguai entre Carmelo Peralta e Puerto Murtinho. Foto: MOPC.

Margens de segurança muito acima do uso real

Como referência técnica da fiscalização, Capellán afirmou que a estrutura conta com rígidas margens internacionais de segurança. "As cargas normativas para as quais foi projetada estão muito acima das cargas de serviço", detalhou, destacando que o viaduto suportará com folga o tráfego diário de veículos pesados sem exigir restrições de circulação.

O teste que confirma: "praticamente impossível" de sobrecarregar

Sobre o teste de resistência previsto antes da inauguração, o engenheiro foi direto: "Será muito difícil reunirmos todos os veículos necessários. Mesmo com todos eles sobre a ponte, provavelmente chegaríamos a no máximo 50% ou 60% da carga." Por isso, classificou como "praticamente impossível" atingir o limite máximo suportado pela estrutura.

O marco da "união": a etapa de maior incerteza, superada

A recente união física entre as duas frentes de construção, a paraguaia e a brasileira, marcou o momento mais relevante do projeto até o momento. "A partir de agora restam trabalhos de acabamento e ajustes, mas do ponto de vista estrutural já superamos a etapa de maior incerteza e complexidade", declarou Capellán.

O especialista também destacou o trabalho técnico invisível por trás da obra: "Hoje todos observam a magnitude da ponte, mas por trás houve anos de planejamento e fundações com mais de 40 metros de profundidade", concluiu.

Bandeiras do Paraguai e do Brasil no ponto de união da Ponte Bioceânica
As bandeiras do Paraguai e do Brasil marcam o ponto exato onde as duas frentes de construção se uniram. Foto: MOPC.

Ficha técnica: um dos maiores desafios de engenharia do país

  • Extensão total: 1.294 metros
  • Trecho estaiado: 632 metros
  • Vão principal: 350 metros
  • Altura: superior a 140 metros
  • Fundações: mais de 40 metros de profundidade
  • Pista de rodagem: uma faixa por sentido na abertura inicial, com plataforma preparada para futura ampliação a quatro faixas sem modificar as bases

Faltam ser concluídos a pavimentação asfáltica, a instalação de barreiras, a iluminação e a sinalização viária. Embora o cronograma definitivo dependa das autoridades, Capellán manifestou sua expectativa de que a obra seja concluída ainda este ano.

90% de avanço ao final de junho

Segundo o próprio MOPC, ao final de junho de 2026 a ponte registrava um avanço próximo a 90%. O número confirma uma progressão constante: a obra estava em 54,7% em maio de 2024 e chegou a 63,91% em novembro daquele mesmo ano.

Um motor de empregos para o Alto Paraguai

Além da engenharia, a obra deixou uma marca econômica na região. Segundo dados do Consórcio Binacional PY-BRA — responsável pela construção —, nos momentos de maior intensidade cerca de 500 pessoas estiveram envolvidas, entre engenheiros, arquitetos, técnicos, operários especializados e equipe de apoio. Atualmente, cerca de 250 trabalhadores, incluindo contratados e subcontratados, seguem dedicados às últimas tarefas.

O projeto também abriu oportunidades de inclusão no trabalho: 13 integrantes da comunidade Ayoreo se incorporaram às obras, junto com entre 15 e 20 mulheres em diversas funções. Atualmente, 93,6% dos trabalhadores são paraguaios; o restante inclui 15 brasileiros e um venezuelano.

O componente de Segurança Industrial e Saúde Ocupacional (SySO) capacitou permanentemente a equipe em primeiros socorros e resgate em altura, uma preparação fundamental para trabalhar com segurança a mais de 140 metros de altura.

Trabalhadores caminhando sobre o tabuleiro da Ponte Bioceânica em construção
Equipe técnica percorre o tabuleiro da ponte durante as tarefas finais. Foto: MOPC.

Peça-chave do Corredor Bioceânico

A ponte é uma ligação central do Corredor Rodoviário Bioceânico, uma rede logística de aproximadamente 2.396 quilômetros que conectará os oceanos Atlântico e Pacífico através do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Em território paraguaio, a conexão fortalecerá a integração do Chaco com portos e passagens de fronteira, impulsionando o comércio, a produção e o crescimento econômico da região.

A obra é financiada pela margem paraguaia da Itaipu Binacional e impulsionada pelo MOPC. O projeto e a fiscalização estão a cargo do Consórcio JYI, enquanto a construção é responsabilidade do Consórcio Binacional PY-BRA.

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